Farinhada |
Comments: Segunda-feira, Abril 26, 2004
Comments: Comments: Sexta-feira, Abril 23, 2004
ISSO AQUI, ÔÔ...
Minha filha June vai fazer cinco anos em agosto. Outro dia, em um almoço de domingo no shopping, ela me disse que tem medo de ladrão. Não tem medo de bicho papão, nem de barata e nem de cobra. Só de ladrão. O Governo Federal anunciou um corte no orçamento da segurança pública para 2004. De 440 milhões para 336 milhões de reais. Noves fora, nada, acaba que, em 2004, o Brasil oficial irá investir a astronômica quantia de R$1,98 (um real e noventa e oito centavos) na segurança de cada cidadão brasileiro. Durante um ano inteiro. Por mês, menos de dezessete centavos. A sua segurança, meu amigo, a segurança de seu filho, cara amiga, vale menos de dezessete centavos por mês no país do futebol. Um pouco mais do que três balinhas de hortelã na padaria da esquina. Cada deputado federal custa, entre salários, benefícios e assessores, 68 mil reais ao mês aos cofres públicos. Eles trabalham de terça a quinta. Têm 90 dias de recesso parlamentar. Isso, no calendário oficial, claro. Na prática, são mais de cento e oitenta dias de recesso por ano. Essa semana que passou, por exemplo, o Congresso não votou nada. Os deputados estavam aproveitando o feriadão. Noves fora nada, de novo, um deputado federal vale R$ 2.266,66 (dois mil, duzentos e sessenta e seis reais e sessenta e seis centavos) por dia. Noventa e quatro reais e quarenta e quatro centavos por hora. Indo ou não à Câmara. Um trabalhador brasileiro assalariado ganha, quando tem emprego, duzentos e quarenta reais por mês. Oito reais por dia, em média, não considerando domingos e feriados. Um trabalhador brasileiro trabalha de segunda a sábado e tem direito a férias trinta dias por ano. Quando tem. Se não for trabalhar, tem o ponto cortado. Perde o emprego. Um deputado federal recebe três mil reais por mês de auxílio moradia. Trinta e seis mil reais em um ano. Um trabalhador brasileiro que tem a sorte de receber um salário mínimo ganha R$ 2.880,00 (dois mil, oitocentos e oitenta reais) por ano. Para comer, vestir, pegar condução, ir ao médico, comprar material escolar para os filhos. E pagar aluguel. A verba de propaganda do Governo Federal é de 1,3 bilhão de reais. Cento e oito milhões de reais por mês. Três milhões, seiscentos e onze mil reais por dia. Cento e cinquenta mil reais por hora. Minha filha June vai fazer cinco anos em agosto. E tem medo de ladrão. E, repito: o Governo Federal fez cortes no orçamento para a segurança pública. Agora, vai gastar menos de dezessete centavos por mês com a segurança da minha filha de cinco anos que tem medo de ladrão. Brasil. Comments: Quarta-feira, Abril 07, 2004
A PROPAGANDA É A ARMA DO NEGÓCIO
A verba destinada pelo governo Lula para a propaganda oficial em 2004 foi de 1,3 bilhão de reais. Um pouco menos que em 2003, quando o governo trabalhista gastou 1,4 bilhão de reais. Só para divulgar ações do Governo Federal: bancos, companhias elétricas, Correios, comunicação institucional, e por aí vai. É muito dinheiro. Quase 450 milhões de dólares. Só com propaganda. Pode parecer pouco para um Governo Federal. Mas não é. Só para efeito de comparação: 1,3 bilhão de reais é mais da metade do que o Piauí tem, durante todo o ano, para cuidar da saúde, educação, estradas, folha de pagamento, manutenção dos prédios públicos, investimentos na agricultura, na indústria, merenda escolar, etc, etc, etc. Ou seja: o Governo Lula vai gastar mais de meio Piauí para dizer para o Piauí e para o Brasil que é bonzinho. Pior: todo esse dinheiro é empregado para tentar nos convencer de que o país vai muito bem, obrigado. Mas não. Na verdade, o país vai porque é obrigado, muito bem. Obrigado a seguir em frente mesmo com o aumento da concentração de renda, muito bem. Isso não é só culpa do Governo Lula, eu sei. Mas ele é a bola da vez. E é dele que devemos cobrar. Vai ter gente dizendo que estou jogando contra o patrimônio. Tô nem aí. Tem gente que prefere fingir que está certo um país como o nosso torrar mais de um bilhão de reais em propaganda porque, claro, faz parte da engrenagem que queima essa grana. Eu também faço, mea culpa, mea culpa, mas prefiro continuar achando que é muito dinheiro e que ele poderia ser melhor empregado. Preferia que fosse diferente. Até porque, entre outras coisas, me incomoda assistir a um comercial do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, com seus gerentes sorridentes e clima de banco holandês quando, na verdade, passo duas horas e meia na fila para pagar uma conta de luz. É muito ruim assistir um comercial que diz que mais de 400 novas ambulâncias estarão circulando Brasil afora quando tem gente dormindo na fila do hospital para pegar uma senha para voltar daqui a seis meses para fazer uma consulta com o oculista. É hipócrita. É cínico. É maquiavélico, quase. Me diz: porquê eu tenho que financiar a propaganda oficial? Porquê o dinheiro dos impostos que eu pago deve servir para o Lula dizer pra mim que é um presidente legal? Não quero. Prefiro ver os comerciais do Mc Donalds que, pelo menos, a gente escolhe se quer ir lá ou não. Do que me adianta ver um comercial do Ministério do Trabalho se eu não tenho emprego? Se eu for lá pedir vão me arrumar? Vamos juntar 10 milhões de pessoas e ir, então, que estão nos devendo. Deveria haver uma lei que restringisse propaganda oficial. Governos Federal, Estaduais e Municipais. No máximo, campanhas de cunho social: vacinação, campanhas educativas e afins. Ah, o comercial tá dizendo que o Presidente fez isso? Opa! Não pode. Processa. Mas o Governo tem de divulgar o que fez... Ótimo. Então, um balancete semestral gratuito nos jornais resolve. "Fizemos isso, aquilo, aquiloutro". Aí usa o dinheiro pra fazer qualquer outra coisa. Chega de propaganda. Chega de Fome Zero. Transforma a verba em comida e dá pro povo. O melhor comercial que o Banco do Brasil poderia fazer seria acabar com as filas. Contratar funcionários. Estimular os pequenos empresários com financiamentos a juros baixos. Ou coisas assim. Além disso, quando você assiste um comercial que não reflete a realidade, pode ir ao Decom reclamar. E, por favor, onde a gente vai reclamar das campanhas do Ministério da Saúde daqui a seis meses, se ainda sair vivo da fila do hospital? Comments: Sexta-feira, Abril 02, 2004
A PAIXÃO DE GIBSON
Tenho certeza que se "A Paixão de Cristo", do Mel Gibson, não fosse sobre a própria e, sim, sobre a paixão de Joaquim, de John ou de Zé Ninguém, das duas uma: ou o filme seria desprezado ou faria de Gibson um novo Quentin Tarantino. O sangue que espirra na cara da gente não seria tão salgado se não fosse derramado pelo Filho de Deus. O filme não iria chocar tanto se quem levasse trinta e duas chibatadas de sádicos e "clichezados" soldados romanos fosse um pobre, negro e favelado, de qualquer cidade brasileira. Mas é Dele, do Messias. O sangue que Ele derramou por nós no Calvário choca muito mais do que o sangue derramado em cada esquina do Brasil por tantos "filhos de Deus" porque nos lembra que cada chibatada, cada naco de carne que pula na tela, cada passo dado entre os 500 metros que separavam o palácio de Pilatos da colina do Gólgota, com o pecado do mundo nas costas, foi o preço que Cristo pagou para nos livrar do mal. A Paixão de Gibson choca muito mais por nos deixar com a sensação de que não fomos merecedores do seu sofrimento do que por ser realmente algo de uma violência nunca vista no cinema. Já se viu coisa muito pior, em termos de sadismo e sanguinolência. Já se viu coisa pior em termos de violência. Não há, na verdade, porque tanto choque. São cenas fortes, sim. Mas são fortes, principalmente, pelo simbolismo impregnado em nossa mente cristã desde crianças. São fortes porque doem na alma da gente. Diz-se que é um filme anti-semita. Não acho. Opinião de leigo, claro. Mas mesmo assim, não acho. Seria como dizer que qualquer filme que mostre nazistas é anti-germânico. Diz-se que é um filme superficial. E é, mesmo. Um filme que trata das últimas doze horas de Cristo não teria como não ser superficial e precisa ser focado no que aconteceu nesse período. Além do mais, todo cristão tem, em tese, obrigação de conhecer toda a história do Salvador. Está tudo na Bíblia. Estão todos lá. Se você é cristão e não reconhece os personagens do filme, não é o filme que é ruim. É você que é um cristão, no mínimo, relapso. Como eu sou. Não reconheci vários deles. Mas fui buscar quem era quem. E conheci Verônica, e conheci Simão Cireneu, e conheci um pouco mais do que conta o Livro Sagrado. É muito fácil criticar Gibson e o sangue da Paixão de Cristo. É mais difícil criticar a nós mesmos e ver que aquilo tudo que Ele passou para nos redimir parece ter sido em vão. É mais difícil convencermos a nós mesmos de que se aquilo tudo que vimos acontecesse hoje, em 2004, poderia ter o mesmo final. Você, aí, acreditaria que um homem pobre, de barba, dizendo-se filho de Deus, não era um louco? Você não o iria crucificar, mesmo de forma metafórica, na mesma hora? Pode até dizer que não. Não duvido de você. Mas, tem certeza? Eu gostei do filme. Existem outros melhores. Existem filmes que mostram toda a mensagem de paz, esperança e fé deixada por Cristo. Óbvio. Mas o que esse filme tem de diferente é justamente a crueza das imagens. Que embrulham mais do que o estômago: embrulham o peito. E não é pelo sangue. O "sensacionalismo" de Gibson choca muito mais por nos fazer perceber que a mensagem de paz já não nos impressiona mais. Porque, sangue por sangue, a gente pisa nele toda noite, ao sair do trabalho e ir para casa. E não está nem aí. Comments: Quinta-feira, Abril 01, 2004
NÃO É MENTIRA DE PRIMEIRO DE ABRIL
Amanhã, dia 2, a Farinhada volta a ser atualizada toda sexta-feira. Peço desculpas aos visitantes. Um ciclone passa de vez em quando pela vida da gente, né? Até amanhã! |