Farinhada |
Comments: Segunda-feira, Abril 07, 2003
Comments: Sexta-feira, Abril 04, 2003
Acabo indo pra Bagdá (coluna de 6 de abril de 2003)
Eu queria escrever sobre outra coisa hoje, mas, infelizmente, não dá. Depois do que meu sócio/amigo/quase irmão Siqueira Campos e nosso amigo Paulo Henrique e toda a família passaram, não dá para esquecer. Gente, onde isso vai parar? Lembro que quando cheguei a Teresina me orgulhava de dizer para os ¿pobres amigos¿ que ficaram lá no sul maravilha: aqui é que é o lugar! Tranqüilidade, dormir até de janelas abertas de vez em quando, esquecer as chaves do carro no contato, e por aí vai. Hoje, a gente não sabe o que é mais perigoso: ir jantar fora, tomar a fresca do fim da tarde, fazer turismo em Bagdá ou ficar dentro de casa. Culpa? Não, não sei de quem é. Talvez seja de tanta gente... Inclusive minha, sua, da sua avó, da tv, do cinema. Mas isso não vem ao caso. O que importa é: o que fazer? Sinceramente? Não faço a menor idéia. Tenho conversado muito sobre isso em casa, com amigos, no trabalho. Mas quem sabe? As opiniões são completamente distintas. Uns dizem que é pra gente se armar até os dentes. Não gosto desta idéia. Poderíamos acabar virando Teresina City, escolhendo um xerife e tomando whisky sem gelo num saloon à beira do Parnaíba. Outra idéia: pena de morte! Essa é muito controversa... Tem gente que acredita que ia diminuir muito a criminalidade. Será? Nos Estados Unidos tem pena de morte, e as Ongs e associações de Direitos Humanos brigam o tempo todo pela sua extinção, alegando que só matam pobres e negros na cadeira elétrica, com injeções letais ou sei lá mais o quê. Além do mais, além de aqui só irem pra cadeira elétrica ladrões de galinha, ainda corríamos o risco de ter um apagão, por conta da quantidade de gente executada. Deixa pra lá. Contratar segurança privada? Ótima idéia! Mas, adianta, mesmo? Guarda-costas, resolve? Caramba, que legal a gente tomar uma cervejinha no quiosque, ouvindo um rockzinho com dois capangas ao nosso lado. Vamos ver, 300 pessoas, dois guarda-costas pra cada um... Não vai dar... Só ia dar pra tomar cerveja no gramado do Albertão. E muita gente diz: educação! Essa é a saída! Claro que é... Mas, quanto tempo vamos levar para educar 50 milhões de brasileiros? Educar, alimentar, dar oportunidades de trabalho. E até lá, quem cuida de nós? Vamos levar aí uns 30 anos para isso. E os que estão aí agora, e os que não vão ter comida, estudo e oportunidades nesses 30 anos? Tem gente que diz que a polícia é inoperante. Eu não concordo. É uma questão lógica: tem muito mais bandido que polícia. E o salário dos bandidos é melhor, além deles não serem obrigados a trabalhar quando não querem. Bandido não precisa esperar seis meses de uma licitação para comprar armamento: compra no mercado negro, e acabou. Bandido não precisa esperar crédito para por gasolina no carro. Eles roubam logo o carro. Ou o posto. Ou o dono do posto. Quer dizer: o monte de gente boa que tem na polícia fica sendo obrigada a trabalhar com poucas condições ou, no mínimo, em grande desvantagem em relação à marginália (gostou de marginália?). E ainda leva a culpa! Sinceramente, essas discussões só levam a uma conclusão: de que estamos mesmo ¿fu¿. E mal pagos, claro, já que o mínimo ¿subiu¿ para 240 reais. É isso aí. Comments: Quarta-feira, Abril 02, 2003
Os Sete Pecados Capitais - Inveja
Dizem que a inveja é uma m. Pode até ser. Mas atire a primeira pedra quem nunca sentiu inveja de alguém na vida. Mais ainda: que atire a primeira, a segunda, a terceira pedra quem não só sentiu inveja não só uma vez na vida, como volta e meia se pega invejando algo de alguém. É assim desde os tempos de Caim e Abel. Para quem não sabe a história, um resumo do resumo do resumo, porque se eu enrolar muito corro o risco de me confundir, que quem entende mesmo essas histórias é o Padre Tony. Dizem que Caim ficou meio p da vida porque Deus gostou mais do presente que seu irmão (seu, dele, Caim, e não Dele, Deus, que, segundo se sabe, não tem pai, portanto não pode ter irmãos) Abel Lhe havia dado e, com uma inveja danada, matou o pobre do Abel. Não sei bem como, porque vivo me esquecendo (morro de inveja de quem tem uma memória boa). Se não me engano, foi com uma paulada na cabeça. O que, no caso, não interessa. Todo mundo tem inveja de alguma coisa. Tem sim, não adianta mentir! Vai dizer que você, minha cara amiga, não tem inveja da beleza da Carolina Ferraz ou da Luana Piovani? Tem, que eu sei. Ou do talento da Fernanda Montenegro? Ou da coleção de sapatos da Imelda Marcos? Ou da Julia Roberts, ou, até, da Vera Fisher, que parece que toma banho de formol? Vai dizer que você, meu caro leitor, não tem inveja do salário do Romário no Qatar, ou da fama do Mick Jagger, ou da beleza do Brad Pitt? Claro que tem. É claro que a maioria de nós controla a inveja que sente. Senão, éramos todos um monte de Caims (como seria o plural de Caim, mestre Cinéas?) matando a torto e a direito quem a gente visse pela frente. O importante é termos consciência disso, e fazermos, da inveja, algo que nos impulsione, que nos faça lutar para alcançar o que se inveja. O sucesso, a fama, o dinheiro, a paz de espírito, a tranqüilidade, seja lá o que for. Ta invejando o corpitcho da Gisele Bundchen? Faça um regime, minha cara, que você chega lá. Na pior das hipóteses, vai ter um monte de gente te invejando também. Tá com inveja do Romário? Vai jogar bola. Tenta. Tá com inveja da nova mulher do seu marido? Arrume um marido novo. Tá com inveja do novo marido da sua mulher? Arrume uma namorada, pelo menos cinco anos mais nova, ou 30 pontos de QI mais inteligente, ou que faça você ser mais alegre. Não interessa. O que interessa é que a inveja é, mesmo uma m..., mas pode ser, também, o que nos tira da m... de uma vez por todas. Eu, por exemplo, vou passar este carnaval todinho quietinho em casa, com gente que eu gosto me visitando, dormindo agarradinho com a pessoa que eu amo, sem esse negócio de ficar mastigando confete e nem ficando bêbado 4 dias e acordando de ressaca na quarta-feira de cinzas. Sei que tem gente que vai ficar com inveja. Fazer o quê. Comments:
Os Sete Pecados Capitais - Pregui...
Preguiça é um negócio que começa assim, na ponta do pé, vai subindo pelo tornozelo, passa pelas coxas, chega ao umbigo, vai subindo, subindo e, quando você vê, já tá esticando os braços, abrindo a boca e dizendo "ai, que preguiça". Eu não sei bem porque dizem que preguiça é um pecado capital. Mas tenho certeza de que quem disse isso deve ter sido o mesmo infeliz que inventou o trabalho. O símbolo da preguiça, como não podia deixar de ser, é o bicho-preguiça. Um bicho mole, moroso, lento. Faz tudo bem devagar. Ver um bicho-preguiça se movimentando dá quase tanto sono quanto ver a seleção do Felipão jogando na Copa às 3 da manhã. Dizem alguns cientistas que o bicho-preguiça é primo do homem. É verdade! Dizem eles que a "família" humana tem dois ancestrais: o macaco e a preguiça. O ramo descendente do macaco se espalhou pelo mundo. O descendente do bicho-preguiça é encontrado principalmente na Bahia, mas com alguma presença em outras regiões. Segundo esses estudiosos, o que comprova essa ligação do ser humano com o bicho-preguiça é a existência de Dorival Caymmi. Outros estudos relacionados ao tema mostram algumas curiosidades a respeito dessa relação homem/preguiça. Por exemplo: descobriu-se a existência de um gene nos bichos-preguiça que tem como função deixá-los, uma vez por semana, ainda mais preguiçosos. Nos humanos foi descoberta a existência desse mesmo gene. E as estatísticas comprovam que, nos humanos, esse gene está mais ativo às segundas-feiras. Mais uma vez, o ramo baiano dos descendentes do bicho-preguiça tem uma diferença: lá, o tal gene herdado dos ancestrais-preguiça se manifesta 300 dias por ano. Existe uma outra corrente científica que acredita que a preguiça (não o bicho, sim o tal pecado capital) é, na verdade, um vírus. Que, com o passar dos séculos, sofreu diversas mutações, resultando em diversas formas de preguiça. Existe o vírus-preguiça que ataca o cérebro, e faz com que quem é portador não consiga discernir, por exemplo, a diferença entre José Saramago e Paulo Coelho. Já aconteceram diversas epidemias dessa espécie do vírus-preguiça, inclusive uma está ocorrendo no Rio de Janeiro, e faz com que as pessoas comecem a, estranhamente, balançar a bunda pra lá e pra cá e gritar, de forma ritmada, a frase "minha eguinha é pocotó, pocotó, pocotó, pocotó". Esse "modelo" é muito perigoso, já que é transmitido pela tv e pelo rádio. Já na Bahia, esse vírus chegou na forma Carla Perez, evoluiu (?) para Sheila (inclusive, se dividiu e passou a ser dois) mas parece que, pelo menos, já foi controlado. Os cientistas que acreditam que a preguiça é um vírus afirmam que existe, também, uma espécie do vírus-preguiça que ataca parlamentares. Isso explicaria porque tantas sessões no Congresso não têm quorom. Existiria ainda o vírus-preguiça na forma Romário, que, estranhamente, se manifestaria nos atletas em dias de treino. Bem, confesso que vou ter de parar por aqui porque me atacou a maior preguiça de continuar escrevendo. Ainda mais que eu olho lá pra fora e vejo o céu cinza, a chuva caindo, o ar-condicionado tá ligado, o controle remoto da tv tá na minha mão... Acho que vou parando por aqui. Ai, que pregui... Comments:
Os Sete Pecados Capitais - Luxúria
Há anos toda vez que eu vejo a Valéria Valenssa (alguém pode me explicar porquê essa frescura de Valença com dois ss?) rebolando pelada e xexelenta na televisão, eu penso: até quando vai isso, meu Deus? Este ano, então, valha-me Nossa Senhora do Perpétuo Desespero! Só ficava imaginando que quando saísse um bebê daquela barriga ia ser uma Valeriazinha Valenssa, metade mulata e metade careca, com a barba do Hans Donner e uma bundona brilhante de purpurina. Já pensou? A perpetuação da espécie. A mulatinha Globelezinha. Ia aparecer a pobrezinha toda pintada, com fralda descartável fio-dental. Mas, para meu alívio, nasceu um menino. Bem, se bem que corremos o perigo do tal garoto virar um novo Hans Donner, colocando aquelas vinhetas breguíssimas na tv por pelo menos mais 40 anos. Aliás, já viram que coisa mais cafona aquilo que aparece nas transmissões de futebol e fórmula-1 da Globo? Uns efeitos que enfeiam a imagem, colocando logomarcas gigantes nos campos de futebol, latinhas de cerveja dançando ao lado da pista e outras coisas absolutamente desnecessárias numa época em que o que chama a atenção é a sutileza, o detalhe, o limpo (ou clean, como queira). Mas, voltando à Globeleza: acho um porre quando ela começa a rebolar na tv. Não que eu não seja muito chegado no material, muito ao contrário: minha estória sentimental/amorosa/afetiva/casamental meio que prova isso. Mas é que eu fico imaginando o seguinte: se gastam milhões de reais (ou dólares!) todo ano para mudar a imagem do Brasil lá fora, proibindo-se, por exemplo, que os folders turísticos tenham só mulheres de bunda de fora (tão lindas, mas que andavam atraindo só turistas sexuais e, por tabela, aumentando a prostituição, inclusive a infantil), porque pode deixar a Globeleza com suas globelezuras traseiras de fora em horário nobre? No mínimo, um contra-senso. Outra coisa: porque em todo carnaval distribuem camisinhas? Eu vi que, só em Teresina, vão distribuir, se não me engano, 20 mil camisinhas durante o ¿reinado de Momo¿ (que expressão brega, não?). É importante, claro! Mas por que toda essa ¿propaganda¿ em cima do carnaval? Por que não distribuem também (perdoe padre Tony) durante a Semana Santa, ou nas festas de Natal, se todo mundo fica de férias, nas praias, nos bares, nas boates, em casa, por muito mais tempo do que só quatro dias? Fazendo o quê, assistindo Show da Virada e bebendo água mineral sem gás? Afinal: carnaval é a festa da alegria ou uma festa de sacanagem? Não é que eu seja moralista, muito ao contrário. Lembrei até de uma frase de Oscar Wilde: ¿Um moralista é quase sempre um hipócrita. Uma moralista é, invariavelmente, um bagulho¿. Como não pretendo me enquadrar em nenhum desses quesitos, fico só me questionando e achando graça, achando que, na verdade, o Rei Momo e a Rainha do Carnaval são representantes de um gigantesco bordel que se instala no Brasil durante os quatro dias de ¿folia¿. E pergunto: porque, no carnaval, não distribuem confete, serpentina, apito, pandeiro, chapéu de palha, tamborim?Porque só distribuem camisinha? Nélson Rodrigues ia se fartar hoje em dia... Aliás, é dele outra frase: ¿Se todos conhecessem a vida sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém¿. Por via das dúvidas, durante o carnaval deste ano acho que só vou conversar com as pessoas por telefone. Sei lá... Comments:
Os Sete Pecados Capitais - Ira
Começo a ficar com saudades do Bill Clitóris. Pelo menos, as notícias que vinham lá da matriz na época dele eram mais animadoras. Mais divertidas. Mais educativas, até. Com Bill Clitóris aprendemos um pouco mais sobre charutos, sobre limpeza de vestidos pós-amor, sobre a diferença entre fumar e tragar, sobre o que se faz de verdade em um Salão Oval. Descobrimos que a filha dele é meio beberrona, o que não quer dizer nada além de que mesmo o presidente dos Estados Unidos, senhor dos céus e da Terra, tem filhos adolescentes com os mesmos problemas que nós, seres humanos normais e sem botõezinhos vermelhos de destruição do mundo ao alcance da mão, temos. Aprendemos um pouco mais sobre o que é e o que não é sexo. Por exemplo, ele não transou com a Mônica LePintsi. Foi só oral. Com Bill aprendemos sobre como manter casamentos de conveniência. A até então miss Clinton, Hillary, segurou a peteca, digamos, até que ele acabasse o mandato. Elegeu-se senadora e se mandou. Agora, Mister Bill anda de gracejos com Demi Moore, aquela atriz de cinema que enche o saco da gente toda semana em Ghost, Do Outro Lado da Vida, e que já andou fazendo strip-tease nos cinemas. Cara legal, Bill Clitóris. Parece que aprendeu direitinho aquela frase: ¿make love, not war¿. Já George Bush Filho é meio patético. Não tem cara de pateta? Ao contrário de Bill, não tem charme nenhum. Entende tudo tão errado que aprendeu a frase ao contrário: make war, not love. O Felipão deve estar tomando conta dele e proibindo que ele faça sexo durante o mandato. Só pode. Aí o cara começa a querer fazer guerra contra o mundo inteiro. Acabou com o Afeganistão. O que é só modo de dizer porque, pelo que se sabe, só acabou com umas duas montanhas que tinha lá, já que o resto já não existia mesmo. E o pior: não encontrou o Bin Big Bang Laden. A maior potência do mundo não consegue encontrar um barbudo magrelo e fedorento e, agora, quer invadir o Iraque. Dizem que quer briga com a Coréia do Norte. Falam em bombardear o Irã. Ando pensando em mandar um e-mail pedindo para ele bombardear a casa do Big Brother Brasil, mas acho que a Globo não ia liberar o espaço aéreo brasileiro. George Bush Júnior já começa com o problema de ser Júnior. Talvez venha daí o jeito de pateta. Além do mais, há muito tempo ele tem uma sede de vingança enorme. Ele já tinha dito: ¿Saddam tentou matar papai. Eu odeio ele¿. Depois, ainda veio o Bin Laden ferindo o orgulho americano daquele jeito. Bom, o fato é que Bush Júnior representa um lado do sentimento americano que assusta: eu chamo de American Way of War. Eles adoram guerras. Eles adoram explosões, perseguições de carros, destruição de cidades, fim do mundo. Eles adoram Rambos. Eles adoram filmes onde gente sofre, onde existe dor. Eles adoram games de luta, onde esguicha sangue de tudo quanto é lado. O americano que a gente conhece dá a impressão de que eles têm no corpo o gene da ira. Sabe o que eu acho que precisamos arrumar para o Bush Júnior? Um videogame. Para ele ficar brincando de guerra o dia todo. Além disso, um Ken e uma Barbie. Quem sabe vendo ali uma representação bem americana de um homem e uma mulher ele não se lembra do que anda deixando de fazer na sua intimidade e está querendo fazer com o mundo? Ou ainda: porque não apresentamos para ele a Mônica LePintsi? Comments:
Only Rock¿n Roll
Estive no Ceará Music. Faz parte do meu processo de regressão, de rejuvenescimento espiritual. Precisava passar pela experiência única de estar entre 50 mil jovens com hormônios em ebulição, dinheiro do papai na carteira e vontade de transgredir as regras da sociedade capitalista contemporânea. Bom, esse último tópico esquece, que é coisa de velho. Fomos eu e minha Renata, os dois, em uma excursão. Com mais 124 pessoas. Provavelmente éramos os mais velhos dos 126 participantes. Talvez os motoristas dos 3 ônibus fossem mais velhos, mas acho que não conta. Me senti um Matusalém. Um Austregésilo de Ataíde. Ainda bem que um garoto no nosso ônibus foi logo chamado de ¿pouca telha¿ por ser um careca precoce. Desviada a atenção para o ¿pouca telha¿, não mexeram comigo. Ficava a todo momento esperando que me chamassem de ¿pouca telha sênior¿, mas parece que ninguém pensou nisso. Vou poupar você dos detalhes sórdidos e entrar logo no festival. Aliás, entrar no festival é força de expressão. Poderia dizer que fomos entrados no Ceará Music. Sim, porque depois que nos infiltramos entre os milhares de imberbes e barulhentos seres que se acotovelavam na porta, onde a densidade demográfica deveria ser de 850 pessoas por metro quadrado, não dava mais para ir a lugar nenhum que não fosse para dentro do Marina Park. Por uns minutos cheguei a me arrepender, mas fazia meu exercício diário de Poliana e dizia para a Rê: ¿calma, lá dentro vai estar legal¿. Ela não dizia nada. Não que não quisesse: é que eu tentava protegê-la das cotoveladas abraçando-a por trás, e sem perceber apertava seu diafragma. Ela não conseguia respirar direito. Mas, depois de muito aperto, olha nós na cidade do rock! Beleza! Lá dentro, Bobs, Mc Donalds, gringo vendendo prata, stand da Coca Cola, dezenas de banheiros e até um espaço Zen, com um gramado para o pessoal relaxar. Ué, mas festival de rock, juventude, não é pra contestar o sistema? Tô velho mesmo. Adivinha onde ficamos? Claro, no Espaço Zen. Que logo poderia ser chamado de Zen Espaço, porque não cabia mais ninguém. Ver os shows foi muito, muito divertido. Demais. Ótimo! Dizem que foi, pelo menos. Porque nós só vimos, mesmo, milhares de braços. De vez em quando a gente olhava no telão e via algo semelhante a seres humanos cantando e pulando, mas não dava para identificar bem, por causa da distância. Além disso, tive a impressão de que éramos muito queridos por lá, porque todo mundo fazia questão de esbarrar na gente. Para descansar, sentamos no chão, pois, apesar das minhas preces, nenhum banquinho apareceu do meio da terra. Cinco minutos depois quase passo mal: estava tonto de tanto ver pernas passando na minha frente. Levantei, olhei para Rê e vi que ela tinha uma cara meio esquisita. Acho que era uma mistura de fome e cansaço. Fomos embora mortos. Arrasados. Esse foi nosso primeiro dia do Ceará Music. No segundo, encontramos Siqueira e Aline e, enquanto rolavam os shows no Marina, eu, Rê e eles estávamos comendo camarão com maracujá, batendo papo com o grande Audifax e ouvindo o violão do Gereba no Mercado dos Pinhões. No terceiro, compramos uns brincos de prata do gringo Rodolfo e fomos passear na orla. Dia seguinte, viagem de volta. 12 horas de CD do Cidade Negra. Sono. Cansaço. Ônibus quebrado. Chulé. Banheiro sujo. Chegada às 4 da manhã. Dor nas costas. Dor nos pés. Ano que vem, tem Ceará Music de novo. E já combinamos: vamos ver tudo pela tv em Luís Correia. Comments:
Medo de Quê?
Eu ainda não entendi porque a Regina Duarte tem medo do Lula, nem porque a Paloma Duarte tem medo pelo fato da Regina Duarte ter medo, nem porque a Odete Roitmann não tem medo da menina que tem medo do medo da Regina Duarte. Que quantidade de medo é essa, minha gente? O Brasil está dando um exemplo para o mundo. Um exemplo de que aqui pode-se, sim, desafiar a lei das probabilidades e vencer na vida. Seja Lula ou Serra o eleito, o presidente do Brasil veio de baixo. Os dois foram trabalhadores. Os dois fizeram acordos amplos, inclusive com os da antiga direita (ainda existe isso, direita, esquerda, a não ser no trânsito?). Os dois têm apoio de empresários, e pregam a conciliação, o equilíbrio. Alfinetam-se aqui e ali, têm uma ou outra postura que os diferencia, mas, no geral, são mais ou menos a mesma coisa, jogam no mesmo time. Eu não tenho medo, de nenhum dos dois. Acho que ambos podem ser excelentes presidentes da República, ambos vão olhar para o que o Brasil realmente precisa que seja olhado: para o povo simples, para o pequeno, para o humilde, para o faminto, para o necessitado. Não tem jeito. Seja quem for o eleito, o Brasil precisa de mudanças. É preciso que sejam revistas muitas posições e formas de se fazer e administrar um país. Isso não tem cor, nem partido, nem tendência política. Eu não tenho medo, de nenhum dos dois. Seja quem for o eleito, vai ser eleito por mais da metade do povo brasileiro. E vai ser eleito por gente que acredita que as mudanças vão acontecer. Gente que acredita que vamos ter menos pobreza, menos fome, menos violência, menos desemprego. Gente que, pode ter certeza, vai cobrar as mudanças e as promessas feitas. Seja quem for o eleito, eu não tenho medo. Porque, eu vi na TV, já tem até lugar em Brasília para a instalação de uma equipe de transição. Com computadores, escritórios, mesas, cadeiras e até garrafas de café. Exemplo para o mundo, de novo. Um presidente passando o governo para outro, democraticamente, sendo do seu partido ou do adversário. Não tenho medo porque, apesar de uma ou outra falha aqui ou ali, graças ao nosso talento, à nossa ousadia e à nossa maturidade democrática, ainda hoje à noite deveremos estar sabendo quem é o presidente. Urnas eletrônicas, rapidez, segurança. Eu não tenho medo porque mesmo com Lula à frente nas pesquisas, nenhum empresário veio à TV falar que vai embora do país, nem nenhum general veio ameaçar a democracia. Eu não tenho medo porque o Serra, mesmo sendo candidato do Governo e estando atrás nas pesquisas, não foi acusado nenhuma vez de abuso de poder econômico. Ou seja: não há porque ter medo. Eu não tenho medo da democracia, nem tenho medo da escolha que o povo vai fazer. Sou daqueles que acreditam que cada povo tem o governante que merece. Se o povo escolher o Lula, ótimo. Se escolher o Serra, ótimo também. Só teria medo se eu tivesse de votar no plebiscito do Saddam Hussein, onde na cédula devia estar escrito: ¿Sim¿ ou ¿Óbvio que Sim¿. O povo escolheu? Não há porque ter medo. Há, sim, de se respeitar a vontade do povo e trabalhar. Boa sorte, Brasil. Comments:
FOME
Um vazio no estômago. Um oco na alma. Um nada no peito. Uma lágrima no rosto. Um buraco na dignidade. Um chute na vergonha. Um vazio na vergonha. Um oco no estômago. Um nada na alma. Uma lágrima no peito. Um buraco no rosto. Um chute na dignidade. Um vazio na dignidade. Um oco na vergonha. Um nada no estômago. Uma lágrima na alma. Um buraco no peito. Um chute no rosto. Um vazio no rosto. Um oco na dignidade. Um nada na vergonha. Uma lágrima no estômago. Um buraco na alma. Um chute no peito. Um vazio no peito. Um oco no rosto. Um nada na dignidade. Uma lágrima de vergonha. Um buraco no estômago. Um chute na alma. Um vazio na alma. Um oco no peito. Um nada no rosto. Uma lágrima de dignidade. Um buraco na vergonha. Um chute no estômago. Comments:
DÚVIDAS
Confesso que neste momento só o que passa na minha cabeça é: escrever essa coluna sobre o quê, caramba? Uma dúvida cruel: escrever sobre a nova geração de líderes barbudos do Brasil? Escrever sobre o Dia da Bandeira que ninguém nem lembrou que já passou? Escrever sobre o episódio de ER que assisti quarta à noite, e que para mim foi o melhor de todos? Escrever sobre meu esquecimento crônico de nomes de ruas, endereços, nomes de pessoas? Enfim, falar sobre o quê, meu Deus? Bem, teve mais um atentado terrorista em Israel... Mas acho que não é um bom assunto para domingo... Ah, tem rodada do Campeonato Brasileiro e Botafogo e Palmeiras na segundona (pelo menos até alguém resolver virar a mesa, fazer outro torneio e buscar os dois de volta). Ah, mas isso é assunto para o Garrincha, acho que não daria certo no Metrópole. Já sei: vou falar sobre a coluna chata que o Diogo Mainardi escreveu na Veja descendo a lenha no Drummond. Cara chato, esse Mainardi. Escreve bem, e muito. Mas eu acho ele chato. Esquece o Mainardi. E eu, vou escrever sobre o quê? Quem sabe sobre um bate-papo que tive com o Cláudio Barros, onde descobrimos que o Governador eleito parece muito com um Playmobil, aquele bonequinho simpático que todo mundo da nossa geração teve na infância? Mas isso não é sério. Deixa eu ver, algum assunto sério... O Governo FHC que está acabando? Não, está no fim, deixa pra lá. Posso escrever sobre como a cada ano que passa parece que o ano que passa passa mais depressa. Já estamos com Papais Noel (outra dúvida: Papais Noel, Papais Noéis, Papai Noéis... Como se escreve?) de todo tipo, modelo e qualidade por aí. Qualquer dia o Natal começa em março, logo depois do Carnaval. Mas isso é interessante? Ah, vou falar que eu adoro o céu meio cinza de novembro! Mas só que eu gosto mesmo é do céu azul de Teresina em agosto. Esquece... Muita gente tem me perguntado o que tenho feito para emagrecer. Perdi 17 quilos. Mas acho que isso não é lá grande assunto para hoje. Falar sobre o amor? Sobre paixão? Sobre desejo? Sobre casamentos? Sei lá, isso acaba em confusão, depois... Deixa quieto. Um bom assunto para falar também é sobre a mentira. Já percebeu que os maiores mentirosos são os primeiros a dizer logo ¿eu não minto¿? Não, não é um bom assunto... Nunca falei sobre fotografia, aqui. Mas quem sou eu para falar nisso? Cinema eu já falei... Livros! Isso, literatura! Mas assim, ao lado do professor Cinéas? Nem pensar, que eu não sou bobo... Sobre propaganda! Vixe, desanima... Já faço isso todo dia. Hoje é dia de relaxar...Domingo... Olha, vou confessar que continuo sem saber sobre o que escrever. Desculpe eu ficar te enrolando, mas estou tentando achar um assunto. Mas fico em dúvida: será que você está gostando disto? Deve estar, senão não tinha lido até aqui. Ou talvez esteja lendo e achando uma droga. Ou só leu esta linha. Sei lá. Bom, quem sabe eu escrevo sobre a dúvida? Isso, dúvida é algo que todo mundo tem. Algumas pessoas acham que têm certeza das coisas, mas fica no ar a dúvida: existe algo nesse mundo sobre a qual se possa ter uma certeza? Eu mesmo tenho dúvidas sobre tudo. Na verdade, tenho uma certeza, e acho que é a única (se eu não estiver enganado, claro...): só tenho certeza de que não tenho certeza de nada. Mas, isso seria um bom assunto? Oh, que dúvida... Comments:
Das Oportunidades
Com a eleição do Lula, fiquei pensando: falam tanto das oportunidades da América, que nos Estados Unidos é possível realizar sonhos, que lá é a terra das oportunidades. Mas, vejamos... O Brasil elegeu, pela primeira vez, alguém que realmente fazia parte da ¿classe¿ dos trabalhadores. Um homem que nasceu pobre, no interior do nordeste, foi para o sul como retirante, trabalhou em chão de fábrica e virou presidente. Pouco? Vamos a uma listinha rápida, pedindo, desde já, perdão por inúmeras omissões e alguns exageros. Quem é um dos maiores empresários da comunicação do Brasil? Senor Abravenel, o Sílvio Santos, ex-camelô e, ao que consta, com pouco ¿estudo¿. Quem é a mais badalada, mais rica (não vamos considerar aqui se é boa ou não, pois há controvérsias...) apresentadora da TV? Maria da Graça Meneghel, a Xuxa. Ela estudou o quê? E o Pelé, estudou aonde? E Ronaldinho, o fenômeno, podre de rico, embaixador do Unicef, o melhor do mundo não sei quantas vezes, patrocínios milionários, etc, etc: veio de onde? E quantas modelos famosas, e quantos atores, cantores, artistas, poetas? Quanta gente, Brasil afora, aqui mesmo, no Piauí, estava destinada à pobreza, à miséria, à ignorância, à indigência, mas resolveu lutar, seguir em frente, desafiar o destino, encontrar sua única oportunidade e ser alguém na vida? Acho que a eleição do Lula (desviando o foco das questiúnculas e politicagens) mostra que, apesar das muitas desigualdades, o Brasil é, sim um país de muitas oportunidades. Um país que não fecha totalmente as portas para quem é inteligente, batalhador, obstinado, dedicado, guerreiro e tem um objetivo na vida. Muita gente acha que oportunidade é algo que cai do céu, algo que se descobre na Universidade, e que só porque tem um diploma ou meia dúzia de cursos acadêmicos o mundo irá se dobrar aos seus pés e reverenciá-lo como ¿ó, grande sapiência, aqui estão todos os humanos prontos para fazer de sua magnificência um Mestre bem sucedido¿. E a sua parte, carinha, cadê? Já correu atrás, hoje? Sim, este é um país de muitas desigualdades. Mas não é preciso ser um sábio monge tibetano para saber que oportunidade é algo mais ou menos assim: ¿Olha, ali dá para fazer alguma coisa¿. Aí vem outro e diz: ¿Ah, é muito difícil¿. O que está atrás da oportunidade responde: ¿Uai, se tá difícil, melhor, porque tem menos concorrência¿. O chato medroso pergunta:¿ Mas você não acha que dá muito trabalho¿? O doidinho que quer agarrar a tal da oportunidade retruca: ¿Olha, se vai dar trabalho eu não sei, porque eu ainda não fiz. Quando eu chegar lá eu te conto. Fica aí atrás esperando¿. Daí o boboca fica, e esperneando: ¿É, esse é um país onde tudo é difícil, aqui ninguém consegue as coisas, o governo vive atrapalhando, o salário é pequeno¿. E as oportunidades passam, e ele não vê porque pensava que elas não existissem. Está bem, posso estar sendo meio Poliana e só vendo um lado da questão. Mas ver só o outro resolve? Chorar, reclamar, espernear e dizer que ninguém dá uma oportunidade resolve? Acho que a eleição do Lula simboliza um pouco isso: é possível, sim, se ter oportunidades no Brasil. É óbvio que o governo precisa dar uma mãozinha, e ele (o Lula) sabe (ou ao menos deveria saber) disso. É lógico que os empresários precisam dar uma força. É óbvio que professores, escolas, universidades, devem preparar melhor a meninada para que eles tenham como identificar e agarrar as oportunidades que surgirem na vida. Mas a oportunidade, mesmo, é a gente que faz. Oportunidade, mesmo, é a gente que cria. O verdadeiro país das oportunidades fica em um lugar muito, muito perto de nós, tão perto que às vezes é muito mais fácil não enxergá-lo: o país das oportunidades fica dentro da gente. E você, já fez a sua parte hoje? Comments:
Com Quantos Paus se Faz Uma Canoa? (Pausa nos Pecados Capitais)
Você sabia que a maioria dos leões que comem seres humanos são jovens e saudáveis? Até hoje imaginava-se que gente só estava no cardápio dos leões mais velhos, que não conseguem capturar presas mais rápidas e se contentam com nossos lerdos colegas de espécie. Mas o mais sensacional você ainda não sabe, tenho certeza: os leões que comem seres humanos tem mais problemas dentários que os que não comem. Os cientistas fizeram essas descobertas poucos dias atrás, segundo foi divulgado na revista New Scientist. Essa pesquisa nos faz crer, então, que para a eventualidade de estarmos perdidos em plena selva africana e nos depararmos com um leão, além de torcermos para ele ter comido muita gente antes de nós e ser banguela, devemos pedir a carteira de identidade do dito cujo e ver se ele é novo ou velho. Se for novo, tamos ferrados. Se for velho, há uma salvação: correr bastante. Eu recomendo, até, que se algum dia você for dar umas voltas por uma área repleta de leões, faça um treinamento básico nos 100 metros rasos. Mas quantos anos vive um leão? Bem, um leão vive cerca de 25 anos. Portanto, um leão de 5 anos pode ser considerado um adolescente. Um leão de 12 anos já é um coroa. E um de 24, 25, você nem precisa correr: é um Austregésilo de Ataíde. Outra descoberta científica de absoluta relevância foi a seguinte: nós, humanos, escolhemos para que lado vamos inclinar a cabeça para beijar ainda no útero materno. E que, para cada duas pessoas que inclinam a cabeça para o lado direito ao beijar, uma inclina a cabeça para o lado esquerdo. Esta revolucionária descoberta foi feita pelo doutor Onur Guntukun, um alemão que, pelo visto, não tinha muito o que fazer e ficou dois anos e meio observando 124 casais se beijando, em vários países: Alemanha, Turquia e Estados Unidos. Uma espécie de voyeur profissional, já que ele observava os casais escondido. Um dado curioso é que ele levou dois anos e meio para observar isso. Ou ele não enxerga muito bem ou o povo na Europa e nos EUA anda beijando muito pouco. Afinal, é só ir a qualquer micareta que você vê, numa noite, mais de 80.000 beijos, de todos os tamanhos e qualidades (eu mesmo fui testemunha de um beijo em que o cara estava lambendo o pescoço da menina, só que por dentro). Vantagem da pesquisa? Sei lá, pelo menos pode servir para uma conversa de bar. Ou, quem sabe, para casais de cegos saberem que têm uma chance, a cada três tentativas, de baterem de testa um com o outro na hora do beijo. E teve ainda o resultado de uma outra pesquisa, que dizia que os homens que se barbeiam menos têm menos relações sexuais. Na mesma hora, fiquei morrendo de pena do Lula, do Fidel e do Enéas. Afinal, segundo a pesquisa, o Enéas é virgem até hoje. É, porque, pelo que se sabe, ele já nasceu de barba e, ao invés de chorar gritou ¿Enéééééééééééas!¿ assim que saiu do útero. E o Bin Laden? Está explicado: com a barba daquele tamanho, ele tinha que, digamos, ferrar alguém... Assim que soube do resultado dessa impressionante pesquisa, tomei imediatamente uma providência: fui à farmácia perto de casa e comprei 265 barbeadores. Agora me barbeio 4 vezes ao dia: uma ao acordar, outra quando volto para o almoço, outra depois do almoço e mais uma antes de dormir. Renata que se cuide! Comments:
CADÊ MEU TÍTULO?
Provavelmente, a essa hora você deve estar se preparando para exercer seu ¿sagrado direito de votar¿. Estranho esse ser um ¿direito obrigatório¿, mas tudo bem. É direito e pronto! Não vamos ficar aqui questionando, senão vai que vem alguém e tira o direito outra vez. Eleição engraçada, essa. A gente vai ter que fazer a escolha entre o sapo barbudo versão paz e amor, um careca que foi apresentado formalmente a uma vaca aos, sei lá, 40 anos, um pastor evangélico chamado pelo apelido e um cearense desbocado e pavio curto cuja grande virtude é ser casado com a Patrícia Pilar. Tá difícil. Juro que tá. Nenhum deles me faz ter vontade de emanar o meu poder, já que a definição de democracia é: forma de governo onde o poder emana do povo. Não sei para quem emanar o meu poder. Confesso que votei no Lula três vezes. Não é por nada não, eu gosto do Lula. Mas, pôxa, já encheu o saco votar três vezes e não dar certo. E votei no Roberto freire uma vez. Já fui vermelho, já pendi pro petismo e ando meio desbotado. Só não digo que estou meio cor de rosa porque vai que o Ciro Gomes Massaranduba descobre e me xinga de alguma coisa que eu não vou gostar. Ou então que o menininho, digo, gurizinho, digo, Garotinho pense que estou declarando o voto para ele, já que a mulher dele é cor de rosa, ou melhor, Rosinha. Aliás, não é singelo? Um país que tenha como presidente e primeira dama o casal Garotinho e Rosinha parece país de história em quadrinhos, não é? Na verdade, estou pensando em votar no Serra. Ele é careca, como eu. Bom, o Ciro também é. Menos, é verdade. Mas é. Essa coisa de mais ou menos careca é como definir quem é mais ou menos esquerda. Bobagem. É e pronto! E o vice do Lula? Vice com nome de Paulinho? Caramba, como disse o Cláudio Barros, Paulinho é nome de ponta-direita de time de pelada. Já pensou? Realiza: Ciro doente. Paulinho assume. Reunião na ONU. O locutor chama, com aquele inglês de sotaque suíço: ¿The President of Brazil, Paulinho¿. Eca! Bom, na verdade, não sei ainda em quem votar. Acho que eu não vou. Isso, não vou. Ou melhor, vou e voto em branco. Até porque não dá para votar em negro, porque não tem nenhum concorrendo. Eu votaria em um presidente negro, com certeza. Acho que mudaria muita coisa. Assim como uma presidenta. Uma mulher. Isso. Uma mulher ou um negro candidato e eu não pensaria duas vezes. Desde que não fossem a Roseana e o Pelé, entende? Mas é isso, eu votaria nas minorias. Uai, mas a mulher já não é maioria? Putz. Não só não sei em quem votar como não sei em quem votaria. Sei sim! Votaria no Seu Creysson! Mas que pena, ele não é candidatchu di veldade. Sem équio. Mas preciso escolher, votar em branco é antidemocrático. Não, não em candidato branco! Votar em branco não votando. Ah, você entendeu! E agora? Um torneiro mecânico, um professor desconhecedor de vacas, um pastor evangélico ou um xingador? Bom, deixa eu ir votar. Vou pensando no caminho. Só espero que os milhões de brasileiros estejam mais decididos do que eu, e tomem a decisão certa. Espero que você e eu escolhamos quem for o melhor. Quatro anos de paulada é dose. Deus nos ajude! Comments:
Asereje já de jé de jebe tu de jebere sei biu nuova majabi na de bugui na de buididipi
Eu também não entendo lhufas do que diz a letra da música (?) que virou título desta coluna mas, pesquisando no maior manancial de bobagens do mundo, a Internet, descobri que não, não é que eu seja um imbecil completo: realmente, essa frase não significa absolutamente nada. E, num serviço quase que de utilidade pública para pais que nem imaginam de onde surgiu essa prag... digo, música (?), eu, que estou quase virando um especialista em assuntos absolutamente inúteis, vou contar, aqui, um pouco do que fiquei sabendo. Bom, para começo de conversa, descobri que a tal da Aserejé, ou melhor, Ragatanga, é cantada (?), em português, pelas meninas do Rouge, um conjunto (?) que foi formado pelas meninas Aline, Fantine, Patrícia, Luciana e Karin, que saíram de um programa (?) chamado Popstars, veiculado no SBT, a tv do Sílvio Santos. Eu não consegui saber ainda se elas têm outra música (?), mas prometo pesquisar mais. Deve ter, afinal elas já venderam mais de 700 mil cópias de um CD (ou seria aCDerê?). Bem, descobri que a tal da música (?) é uma versão em português de ¿Aserejé¿, de um espanhol chamado Manuel Ruiz, e cantada por um grupo chamado Las Ketchup. Isso mesmo, Las Ketchup, que é formado pelas meninas Lola, Pilar e Lucía, filhas de um guitarrista de música flamenca chamado Tomate. Entende? Tomate, o pai, espremendo saíram as filhas, as Ketchup, coisa e tal... Voltando: ¿Aserejé¿, conta a história de Diego, um ¿rumbero¿ que vai a uma boate onde o DJ coloca um rap, e ele não sabe cantar em inglês e traduz a letra para uma língua que só ele entende. Aí vai a parte do rap que virou ¿Aserejé¿: ¿i said a hip hop the hippie the hippie to the hip hip hop, a you dont stop the rock it to the bang bang boogie say up jumped the boogie to the rhythm of the boogie, the beat ¿. Quer dizer: não dá para entender mesmo porque é um dialeto criado por um rumbero que não falava inglês. Acredite se quiser, é isso, sim, que sua filha de 9 anos anda cantando por aí o dia inteiro! Mas não se preocupe, deve ter cura... Bem, anda circulando na Internet e nas revistas de fofocas uma estória de que o tal do Asereje seria um mantra maligno. Segundo o e-mail que roda o mundo, nas meninas do Ketchup apareceram horrendas manchas vermelhas na pele (pensavam que era apenas molho de tomate, mas seria câncer) e muitas outras coisas horrorosas andam acontecendo por toda parte onde se canta e dança esse negócio. Como bom curioso e munido da vontade de levar informações de extrema relevância para meus dois ou três leitores dominicais, pesquisei dias a fio. E fiquei sabendo: esse boato surgiu no México, se espalhou para Honduras, e a música (?) foi proibida nas rádios desses países. Diziam que a tal palavra ¿asereje¿ seria uma forma de se dizer ¿seja herege¿, em espanhol. Mas, aqui no Brasil, temos o Padre Quevedo, nosso Mister M do Obscuro. Fui ao site do Padre Quevedo (http://www.catolicanet.com.br/gf/conteudo.asp?pagina=2362) e lá ele desmonta o boato: diz que tudo não passa de bobagem. De tabela, fiquei sabendo que não adianta ninguém fazer pacto com o Demônio, porque ele, o Tinhoso, o Fedido, o Coisa-Ruim, o Venta-Cabeluda, o Fedorento, não existe. E pede que se mandem todos os demônios para ele. Ele ainda diz que é para todos se divertirem com a música (?) Ragatanga. Bem, sugiro que mandemos, então, os CDS do Rouge para o Padre Quevedo, né não? Olha, para encerrar essa bobajada de domingo, aí vai um resumo das minhas descobertas nesse caso: 1- descobri a verdadeira história do Asereje; 2 ¿ descobri quem foi o desgraçado que inventou essa porcaria; 3 ¿ descobri que a Éritréia fica no nordeste da África (diziam que ¿Asereje¿ era cantada (?) num dialeto da Eritréia); 4 ¿ descobri que o Padre Quevedo é um grande estraga-prazeres, que devia ter deixado essa estória se espalhar para ver se a gente se livrava dessa praga! p.s.: Estou escrevendo esta coluna pela segunda vez: na primeira, uma pane apagou o texto da memória do computador. E agora, Padre Quevedo? Comments:
A Estética do Arrepio
Se tem uma coisa que eu gosto nessa vida é de ir ao cinema. Por mim, iria duas, três vezes por semana. E o melhor: tenho comigo alguém que compartilha do mesmo gosto. Assim, tenho ido muito ao cinema nos últimos meses. Vejo quase tudo que tem passado pela cidade, e muita coisa, ainda, no vídeo, em casa, e pela Sky. Eu e minha Rê temos visto praticamente um filme por dia. E, como não podia deixar de ser, conversamos muito sobre cinema, mas com olhos de espectador, já que quem entende mesmo desse negócio é meu amigo Douglas Machado. E temos percebido uma coisa, que pretendo discutir com o Douglas no próximo macarrão de fim de semana: o cinema, hoje em dia, não está real demais? Parece que a estética em voga, pelo menos nos filmes ditos ¿comerciais¿, é a estética do arrepio. É a estética do realismo cru, a estética do mundo real. Houve um tempo em que filmes de terror beiravam o ridículo: vampiros com capas pretas e vermelhas e penteados à base de gomalina, que viravam morcegos de borracha. Os musicais de Hollywood eram puro romantismo: Gene Kelly cantando e dançando na chuva, Fred Astaire e Ginger Rogers pulando por cima de cadeiras e sofás, lutas de gangues coreografadas como balés. No meio de uma festa todo mundo começava a dançar curiosamente a mesma coreografia, cantando e sorrindo. E os beijos? O que hoje seria considerado uma bitoquinha inocente era tratado como o de mais voluptoso e ardente poderia existir nesse mundo. Nunca me esqueço dos filmes de bangue-bangue em que os bandidos levavam um tiro no peito e caíam para frente, contrariando as probabilidades de que a lei da gravidade agisse e os empurrasse para trás. Hoje, um menino que for brincar de mocinho e bandido e levar um daqueles tiros imaginários precisa, no mínimo, pular 8 metros para trás, se esborrachar na parede e deixar sair da cabeça meio quilo de massa encefálica. Hoje, se parece em baixa a estética do filme ¿explosão e fumacinha¿, tipo Rambo e coisas afins, com seus exageros e apelos heróicos, parece que estamos vivendo a era dos anti-heróis, dos personagens ambíguos, que você não sabe bem se deve torcer contra ou a favor. Tudo muito real, muito humano. Se depois da fase dos morcegos de borracha o que assustava eram os sonhos em que aparecia Freddy Krueger ou um boboca com uma máscara chamado Jason, hoje o medo vem na forma de Hannibal Lecter, um serial killer que come cérebros no almoço e parece igual a tanta gente por aí. Se antes um beijo romântico de um casal rolando na areia causava certo frisson, hoje, no Festival de Cannes, já se mostra um estupro com sexo explícito e, segundo quem viu, requintes de direção que levam mulheres a crises de choro na platéia. Se antes o cinema brasileiro, por exemplo, era feito de imagens alegres e caricatas, de Grande Otelo, Oscarito e depois de pornochanchadas quase adolescentes, hoje o que ¿queremos¿ ver é Central do Brasil, com a realidade gritando na tela, é Cidade de Deus, com a crueza da guerra do tráfico, é Bicho de Sete Cabeças. Enfim, se o mundo parece mais duro, mais cruel, mais áspero, parece que o cinema também anda assim. Por isso filmes tão fantasiosos, como o maravilhoso ¿O Fabuloso Destino de Amélie Poulain¿ (tão lindo e romântico) às vezes causam estranheza. Mesmo os romances andam reais demais. O pessoal casa, separa, trai, engravida, volta, descasa. Como na vida real. Parece que não há mais espaço para namoros eternos, amores platônicos, gente dançando sem cheirar pó ou cantando debaixo de chuva sem ser assaltado por uma gangue juvenil. O cinema, não sei ainda se feliz ou infelizmente, anda muito, muito parecido com a vida. |